Fascismo no Brasil: Safatle explica "A Ameaça Interna" e a "racionalidade" por trás do movimento

Destaques
- •Filósofo Vladimir Safatle lança livro "A ameaça interna – Psicanálise dos novos fascismos globais".
- •Safatle argumenta que fascismo é resposta realista a crises capitalistas, não irracionalidade.
- •O autor critica a esquerda por não propor alternativas concretas e por se contentar em "gerir crises".
O perigo do fascismo no Brasil não acabou com a derrota de Jair Bolsonaro em 2022. Segundo o filósofo Vladimir Safatle, em entrevista ao Intercept Brasil, o fascismo é uma resposta realista às crises globais do capitalismo.
Em seu novo livro, "A ameaça interna – Psicanálise dos novos fascismos globais", Safatle defende que o ressurgimento de movimentos autoritários está ligado às dificuldades de viver em uma sociedade capitalista, com endividamento crescente e precarização do trabalho.
A esquerda, por outro lado, não tem conseguido propor uma alternativa viável, contentando-se em ser a gestora das crises capitalistas e aceitando a violência e a precarização como normais.
Para Safatle, o Brasil nunca viveu plenamente uma democracia, mas sim um "fascismo restrito" que se generaliza em tempos de crise. Ele cita a gestão da pandemia de Jair Bolsonaro e o genocídio em Gaza como exemplos dessa lógica, marcada pela indiferença e dessensibilização.
O filósofo também critica a ideia de "empreendedorismo progressista", argumentando que a esquerda perde sua gramática de luta ao adotar a linguagem da direita. Ele defende que o PSOL, por exemplo, deve fortalecer uma alternativa econômica, social e política clara ao fascismo. "A gente criou a ideia de que poderíamos ser gestores mais humanos das crises terminais do capitalismo, mas isso não é possível", conclui. 💰




