Fãs idosos do BTS encontram pertencimento e combatem solidão no fandom ARMY

Destaques
- •Idosas como Eliette Amaral, 63, e Júlia Fernandes, 86, encontram no fandom do BTS um espaço de amizade e propósito.
- •A neuropsicóloga Veruska Vasconcelos explica que o fandom oferece reconhecimento e combate a solidão na velhice.
- •Apesar dos desafios do etarismo, fãs idosos buscam novas experiências, como tatuagens e participação em shows.
O fenômeno global do grupo sul-coreano BTS tem atraído fãs de todas as idades, incluindo idosos. Mulheres com mais de 60 anos, como Eliette Amaral, de 63 anos, e Júlia Fernandes Soares Augusto, de 86 anos, encontram no fandom, conhecido como ARMY, um espaço de pertencimento, amizade e propósito. O grupo, que recentemente retornou com shows no Brasil após um período de hiato para o serviço militar, tem proporcionado a essas fãs um refúgio contra a solidão e uma oportunidade de se sentirem vistas e amadas.
Eliette, moradora de Sarandi (PR), descobriu o BTS em 2022 e se tornou uma fã ativa, participando de grupos de amigas e assistindo a shows antigos. Ela se sente acolhida pelas letras do grupo, que abordam temas como depressão e autoaceitação. A cor roxa, símbolo do fandom, representa o amor duradouro, e Eliette se identifica com a ideia de ser a última cor do arco-íris, representando os fãs.
Acolhimento e combate à solidão na velhice
A neuropsicóloga Veruska Vasconcelos explica que a solidão na velhice muitas vezes está ligada à falta de espaço para opiniões e desejos, algo que o fandom pode suprir. O grupo oferece um tipo de reconhecimento que a família, focada em papéis tradicionais, nem sempre proporciona. Veruska ressalta que, embora o fandom traga benefícios psicológicos, ainda não há evidências científicas que comprovem a prevenção de depressão ou demência através do engajamento musical.
Júlia, de 86 anos, conheceu o BTS por indicação do neto e se apaixonou. Sua neta, Beatriz Horta, de 28 anos, realizou o sonho de levá-la a um show, uma experiência que gerou grande repercussão e momentos únicos para ambas. A família de Júlia considera o grupo um estímulo positivo, especialmente após o diagnóstico de Alzheimer da avó, cujos vídeos de dança ao som do BTS têm um efeito calmante.
Desafios e superação do etarismo
A receptividade familiar ao fandom de idosos pode variar. Eliette relata que, embora os filhos tenham estranhado inicialmente, hoje a apoiam. Fora de casa, ela ainda percebe olhares de julgamento, o que Veruska classifica como etarismo, a crença de que envelhecer implica em abrir mão de curiosidade e diversão. A especialista sugere que o julgamento familiar pode ser substituído por um interesse genuíno nas atividades dos idosos.
Apesar dos riscos potenciais, como gastos excessivos ou golpes, Veruska alerta que o interesse musical não deve justificar vigilância excessiva ou restrição da autonomia dos idosos. Para Eliette, a experiência de ser fã a impulsiona a se libertar, planejando sua primeira tatuagem aos 63 anos, inspirada em uma música do BTS, um ato simbólico de quebra de barreiras e busca por novas experiências.



