Ex-árbitro Marcelo de Lima Henrique encerra carreira após 32 anos

Destaques
- •Marcelo de Lima Henrique apitou seu último jogo oficial aos 54 anos, um Clássico-Rei pela Série B.
- •O ex-árbitro defende a humanização da arbitragem e a necessidade de "servir o futebol", não ser o "ator principal".
- •Henrique planeja seguir carreira na arbitragem como gestor ou instrutor.
Após mais de três décadas dedicadas à arbitragem, o ex-árbitro Marcelo de Lima Henrique encerrou sua carreira profissional aos 54 anos. Seu último jogo oficial foi o Clássico-Rei entre Fortaleza e Ceará, pela 28ª rodada da Série B, em 13 de setembro. Com 32 anos de trajetória, Henrique se despede dos gramados, mas não do esporte que o consagrou.
Em entrevista, o ex-árbitro destacou a importância de os profissionais da arbitragem "saírem da bolha" e não se sentirem "donos do jogo". Para ele, o árbitro é um "servidor do futebol", cuja função é preservar a partida e os jogadores, permitindo que as novas gerações vivam a paixão pelo esporte. "Estamos ali para servir, não para ser o ator principal", afirmou.
A relação com as torcidas e a imparcialidade
Marcelo de Lima Henrique ressaltou a relação antagônica que os árbitros costumam ter com as torcidas. Enquanto nos estádios e nas redes sociais recebia críticas e xingamentos, pessoalmente era tratado com carinho. Ele brincou que "nenhuma torcida ama" o árbitro, pois a percepção muda drasticamente entre vitórias e derrotas. "Quando o time ganha, dizem 'ganhei, apesar do juiz'; quando perde, foi 'por causa do juiz'. Não tem essa de carinho e amor, não", explicou.
O ex-árbitro também manteve o mistério sobre seu time de coração, comparando a necessidade de imparcialidade à de um juiz togado. Ele acredita que os torcedores ainda não possuem maturidade para lidar com a paixão clubística de um profissional da arbitragem. "Quando a gente se profissionaliza, a paixão fica recolhida, guardada em casa", disse.
Legado e arbitragem brasileira
Henrique mencionou nomes como Rafael Claus, Wilton Pereira Sampaio e Ramon Abatti Abel, convocados para a Copa do Mundo, e Charly Wendy Straub Deretti, Anne Kesy Gomes de Sá e Fernanda Nandrea, que atuarão na Copa do Mundo Feminina Sub-20, como exemplos da força da arbitragem brasileira. "A arbitragem brasileira é muito bem referendada em todo mundo. Obviamente que a gente precisa melhorar, mas acho que a arbitragem brasileira vive momento de transformação e com bons jovens vindo aí", avaliou.
Ele relembrou jogos marcantes, como a final da Taça Guanabara entre Flamengo e Botafogo em 2008, e um duelo tenso entre Uruguai e Argentina pelas Eliminatórias da Copa de 2014. Também citou um clássico entre Santos e Corinthians pela Libertadores de 2012, onde um apito defeituoso lhe causou um contratempo.
Próximos passos na carreira
Apesar de encerrar a carreira como árbitro de campo, Marcelo de Lima Henrique pretende continuar envolvido com o esporte. Ele expressou o desejo de atuar como gestor, liderar projetos ou instruir novos árbitros. "Eu quero muito trabalhar com arbitragem: ser gestor, liderar um projeto, instruir os árbitros... As portas estão abertas", declarou.
Ele também comentou sobre a escolha de Eveliny Almeida para assumir a chefia da arbitragem na Federação Cearense de Futebol (FCF), demonstrando gratidão ao quadro estadual que o acolheu e desejando sucesso à nova gestora. O ex-árbitro, que também foi goleiro na base, agora se diverte em partidas amadoras, onde, segundo ele, ainda demonstra qualidade técnica.
Matérias originais
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