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Estudo: Parar uso de anabolizantes recupera coração, mas reduzir dose não adianta

27 de outubro de 2026
Estudo: Parar uso de anabolizantes recupera coração, mas reduzir dose não adianta

Destaques

  • •Pesquisa publicada no European Heart Journal mostra que a interrupção do uso de esteroides anabolizantes leva à recuperação da saúde cardíaca.
  • •Reduzir a dose semanal de anabolizantes não foi suficiente para reverter os danos ao coração, segundo o estudo.
  • •O acompanhamento médico é essencial para atravessar a fase de interrupção do uso, que pode causar efeitos colaterais como cansaço e desânimo.

Um estudo norueguês publicado no European Heart Journal – Cardiovascular Imaging, uma renomada revista de cardiologia, desmistifica a crença de que o uso moderado de esteroides anabolizantes (EAs) é seguro para o coração. A pesquisa acompanhou homens praticantes de musculação por vários anos e concluiu que a interrupção completa do uso é necessária para a recuperação cardíaca, enquanto a simples redução da dose não é suficiente para reverter os danos.

Os pesquisadores do Hospital Universitário de Oslo reavaliaram 70 usuários ou ex-usuários de anabolizantes e 35 homens que treinavam sem o uso dessas substâncias. A avaliação incluiu ecocardiogramas para analisar a estrutura e a função do coração. Os resultados mostraram que os homens que continuaram usando EAs, mesmo com a dose semanal reduzida pela metade em comparação com a avaliação anterior, apresentavam hipertrofia ventricular (músculo cardíaco espesso demais) e a força de bombeamento do coração abaixo do normal, com a fração de ejeção em média de 48%.

O coração tem capacidade de recuperação

A boa notícia é que os homens que interromperam o uso de anabolizantes demonstraram uma melhora significativa. A massa do músculo cardíaco diminuiu e a força de bombeamento aumentou em média 6 pontos percentuais. Aqueles que estavam há mais tempo sem usar apresentaram um coração com características muito semelhantes ao de quem nunca utilizou as substâncias, indicando a capacidade de regeneração do órgão.

Outro achado relevante foi que usuários de EAs que faziam tratamento para pressão alta apresentaram melhor função cardíaca. Isso reforça a relação entre a hipertensão, induzida ou agravada pelos anabolizantes, e os danos cardiovasculares.

Uso de anabolizantes vai além do fisiculturismo

O estudo alerta que o uso de anabolizantes deixou de ser restrito a fisiculturistas de palco, disseminando-se para academias comuns, com homens de 30 a 50 anos buscando um corpo mais definido. Protocolos vendidos nas redes sociais como suplementos e supostas "reposições hormonais" sem necessidade médica também contribuem para o problema.

Os riscos associados ao uso contínuo incluem arritmia, insuficiência cardíaca, infarto precoce e morte súbita. A interrupção do uso, no entanto, pode ser desafiadora, pois muitos homens enfrentam a supressão da produção natural de testosterona, resultando em cansaço, desânimo, queda da libido e perda de massa muscular, o que pode levar ao retorno do uso.

Acompanhamento médico é crucial

Diante desses desafios, a recomendação é que o processo de interrupção do uso de anabolizantes seja feito com acompanhamento médico. Conversar abertamente com um profissional de saúde, sem receio de julgamento, é fundamental. Exames como medição de pressão arterial, avaliação do colesterol e ecocardiograma, além do planejamento da interrupção, são passos concretos para garantir a segurança e a recuperação da saúde cardíaca.

O que diz a pesquisa

Um estudo de acompanhamento longitudinal, publicado no European Heart Journal – Cardiovascular Imaging em 2026, investigou os efeitos cardiovasculares do uso contínuo versus a descontinuação de esteroides anabolizantes-androgênicos (EAA). A pesquisa envolveu 101 usuários de EAA e 71 controles que praticavam levantamento de peso. Os resultados indicaram que usuários contínuos de EAA apresentaram massa ventricular esquerda indexada persistentemente elevada e fração de ejeção reduzida. Por outro lado, aqueles que descontinuaram o uso de EAA mostraram redução na massa ventricular esquerda e melhora na fração de ejeção, com alterações comparáveis às dos controles.

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