Esquerda brasileira: o debate sobre Defesa Nacional que ninguém quer ter

Destaques
- •A esquerda deixou o debate sobre defesa nacional e a questão militar para a direita.
- •A direita se apropriou do discurso patriótico, explorando um vácuo deixado pela esquerda.
- •É crucial que a esquerda retome a discussão sobre Defesa Nacional para garantir a soberania popular e a autonomia política.
A esquerda brasileira, por diversos motivos históricos, negligenciou o debate sobre Defesa Nacional e a questão militar, deixando esse campo livre para a direita e a extrema-direita. Essa omissão permitiu que discursos nacionalistas e patrióticos fossem monopolizados por grupos que não representam os interesses populares.
Essa ausência no debate permitiu que a direita se apropriasse da bandeira patriótica, enquanto a esquerda tratava o tema como incômodo, associado à ditadura militar. No entanto, um projeto socialista e de desenvolvimento não pode se sustentar sem um Estado capaz de proteger seu território, seus recursos e sua autonomia política diante de potências estrangeiras, especialmente os Estados Unidos.
A proposta é uma Defesa Nacional a serviço da soberania popular, recusando tanto o discurso de mero aumento de orçamento quanto o pacifismo abstrato. É fundamental disputar os mecanismos institucionais que blindam a Defesa do controle civil, como a autonomia orçamentária dos comandos e a ausência de cultura de defesa na população.
A questão nuclear, por exemplo, já está em debate, e a esquerda precisa apresentar uma alternativa que defenda a capacidade nuclear como instrumento de soberania, sem fetiche tecnológico ou subordinação ao pensamento militar tradicional. Uma esquerda que almeja revolucionar o Brasil precisa ter posição própria e ofensiva sobre Defesa Nacional, pois não existe divisão real entre a luta pela soberania nacional e a luta pela emancipação social e econômica do povo trabalhador. Um país que não controla sua defesa, não controla praticamente nada. 🇧🇷



