Edílson Capetinha relembra dificuldades no início da carreira no Espírito Santo

Destaques
- •Ex-jogador Edílson Capetinha relatou que precisava 'roubar' comida na cozinha do clube Industrial, do Espírito Santo, no início da carreira.
- •O atacante contou que entrava escondido na cozinha do clube durante a madrugada para pegar biscoitos e pães, pois os jogadores passavam fome.
- •A história foi revelada em entrevista ao podcast Boteco do Chula, onde Edílson também relembrou a ameaça do cozinheiro com uma faca.
O ex-atacante Edílson Capetinha, campeão do mundo com a Seleção Brasileira em 2002, relembrou as dificuldades enfrentadas no início de sua carreira no futebol capixaba. Jogando pelo Industrial, de Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo, Edílson relatou que precisava entrar escondido na cozinha do clube durante a madrugada para conseguir comida, pois os jogadores passavam fome.
A história foi contada em entrevista ao podcast Boteco do Chula, apresentado pelo ex-jogador Aloísio Chulapa. Edílson explicou que o clube dependia de ajuda de comerciantes e moradores locais, e que os salários eram incertos. Os jogadores moravam em condições precárias, com dez pessoas dividindo um quarto.
A fome e a 'solução' inusitada
Segundo o ex-jogador, a alimentação era controlada em horários fixos, mas a fome durante a madrugada era um problema recorrente. Por ser o jogador mais baixo e magro, Edílson conseguia se espremer por uma pequena abertura na cozinha para pegar biscoitos, pães e outros alimentos sem ser notado. Ele descreveu a situação como um 'roubo' necessário para saciar a fome.
"Eu era o único pequenininho e magrinho que passava numa greta. A gente ficava com fome de madrugada e tinha que roubar a cozinha, né? Eu passava ali e pegava biscoito, pão, não sei o quê. Só que, no outro dia, fazia falta", contou.
Ameaça do cozinheiro com peixeira
A situação se tornou mais tensa quando o cozinheiro do clube, conhecido como Brother, percebeu o sumiço constante de alimentos. Sem saber quem era o responsável, ele começou a reclamar e, em uma ocasião, decidiu esperar o 'ladrão' na cozinha armado com uma faca de peixe (peixeira).
"Um dia, ele puxou uma peixeira e falou: ‘Edílson, eu vou dormir aqui. Na hora que o ladrão entrar, eu vou meter a peixeira nele’. Eu pensando: meu Deus do céu! Ainda bem que ele me avisou, senão eu não vou entrar, não", relatou Edílson, aos risos, sobre o episódio.
Trajetória do capixaba ao pentacampeonato
A passagem pelo Industrial foi o pontapé inicial na carreira profissional de Edílson. Após o clube capixaba, ele atuou pelo Tanabi (SP) e depois pelo Guarani, onde ganhou projeção. Em 1993, foi contratado pelo Palmeiras e, posteriormente, teve destaque em clubes como Corinthians e Flamengo.
O auge de sua carreira foi a convocação para a Seleção Brasileira, integrando o elenco campeão da Copa do Mundo de 2002, no Japão e na Coreia do Sul. A história de superação no Espírito Santo contrasta com a vitoriosa trajetória que o consagrou como um dos ídolos do futebol brasileiro.
Matérias originais
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