Dívida Pública: O Brasil pode quebrar? Entenda os mitos

Destaques
- •O Brasil não corre risco de quebrar por se endividar na moeda que emite.
- •A maior parte do aumento da dívida pública se deve aos juros pagos aos credores, não a investimentos sociais.
- •Mitos sobre a dívida pública brasileira desmistificados com dados e comparações internacionais.
No final de agosto, o Banco Central divulgou que a dívida pública brasileira atingiu R$ 10,9 trilhões, o equivalente a 82,5% do PIB. Enquanto a mídia tradicional grita "pânico" e aponta o dedo para o governo, a verdade é um pouco mais complexa.
O Brasil não corre risco de quebrar por se endividar em reais, a moeda que ele mesmo emite. O grande vilão da conta não são os gastos com saúde ou educação, mas sim os R$ 1,15 trilhão em juros pagos aos credores, o que representa 8,67% do PIB e é 13 vezes maior que o déficit primário.
A narrativa de que o Brasil pode quebrar ou que a dívida é "altíssima" é frequentemente distorcida. Países como Japão (206,5% do PIB) e EUA (125,8% do PIB) ostentam dívidas proporcionalmente maiores sem sofrer as mesmas críticas. O fator crucial não é o número absoluto, mas sim a moeda de endividamento e a posição da moeda na hierarquia monetária internacional.
A ideia de que reduzir gastos sociais automaticamente diminui a dívida também é um mito. A série histórica mostra que, em períodos de maior gasto público e crescimento do PIB, a dívida líquida caiu. A conta da dívida pública é uma fração onde o crescimento do PIB no denominador pode ser mais importante que o estoque da dívida no numerador. A pergunta que realmente importa não é "quanto é demais", mas sim "a serviço de quem". 💰


