Ditadura Militar: A Memória que a Classe Média Não Quer Lembrar

Destaques
- •O argumento de que a Ditadura Militar é uma 'memória de classe média' é desconstruído com base em pesquisas recentes.
- •O regime militar teve um impacto profundo e duradouro na população negra, pobre e em grupos marginalizados, indo muito além de intelectuais e políticos.
- •A narrativa de que a repressão foi 'chique' e restrita é perigosa, pois ignora a violência sistêmica e o apagamento de vítimas.
Em pleno aniversário do golpe de 1964, um tweet viralizou afirmando que falar sobre a Ditadura Militar é um marcador de classe, restrito a ambientes urbanos e escolarizados. A ideia sugere que a repressão não atingiu os mais pobres e camponeses, tornando a memória do regime algo distante do trabalhador.
Mas, essa visão, apesar de sedutora, é perigosa e desinformativa. A realidade, apurada por anos de jornalismo investigativo e historiografia, mostra que a violência militar foi sistêmica e atravessou o país, com um legado que perdura até hoje.
A repressão não se limitou a universitários, jornalistas ou políticos. Ela atingiu duramente a população negra e pobre, com estruturas de violência que se originaram na ditadura e persistem em forças policiais atuais. Além disso, trabalhadores rurais, indígenas e movimentos operários foram alvos diretos, com milhares de mortos e desaparecidos.
Ignorar essa amplitude é aceitar a mentira central do regime: a de que a violência foi restrita. A Ditadura não foi apenas um projeto de repressão política, mas também racial, tratando denúncias de racismo como subversão e perseguindo a construção de identidades negras. O regime também buscou ativamente apagar vestígios, com estruturas para ocultar cadáveres e dados.
Lembrar da Ditadura não é 'chique', é um ato político necessário. É confrontar o silêncio imposto, as provas destruídas e a busca por responsabilização. Reduzir esse período a uma experiência de 'classe média' é perpetuar o silenciamento daqueles que já foram silenciados. A memória da tortura e da repressão jamais será 'chique'. ✊




