Diego Souza é suspenso por 360 dias por usar licença falsa de treinador

Destaques
- •Ex-jogador Diego Souza foi suspenso por um ano pelo TJD-SC por apresentar uma licença de treinador falsa.
- •A punição inclui multa de R$ 20.000 e o jogador alega ter sido enganado pelo argentino Alejandro Mancuso.
- •A decisão ainda pode ser contestada no Pleno do tribunal e o período de suspensão preventiva será descontado.
O ex-jogador Diego Souza foi suspenso por 360 dias pela 1ª Comissão Disciplinar do TJD-SC (Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol de Santa Catarina) por utilizar uma licença falsa de treinador. A decisão unânime, com 3 votos favoráveis, foi tomada na terça-feira (3.nov.2026) e também impôs uma multa de R$ 20.000, com prazo de 15 dias para pagamento.
Diego Souza, que foi contratado pelo Joinville para iniciar sua carreira como técnico, alega desconhecer a falsidade do documento. Segundo seu depoimento, a licença foi obtida por intermédio do argentino Alejandro Mancuso, que teria oferecido um certificado especial para profissionais com trajetória reconhecida no futebol.
Alegada desconhecimento da fraude
Durante o julgamento, Diego Souza relatou que a proposta de Mancuso surgiu em 2023, quando ainda atuava como jogador. O argentino teria prometido agilizar a emissão da licença, dispensando o processo formativo usual. O ex-atleta admitiu não ter participado de aulas para a obtenção do certificado.
“Me sinto até envergonhado por essa situação toda. Eu mandei um e-mail para a CBF na mesma hora alegando que poderia ter caído num golpe e ter sido uma situação de uma licença falsa”, declarou Diego Souza.
Áudios apresentados no processo indicam que Mancuso orientou Diego a enviar documentos pessoais, mencionando que licenças urgentes seriam destinadas a profissionais de renome. Em outra mensagem, Mancuso informou que a documentação estava completa e a licença pronta.
Entidades não confirmam a validade da licença
A documentação falsa foi utilizada para solicitar o registro de Diego Souza como treinador na CBF (Confederação Brasileira de Futebol). A entidade, no entanto, cancelou sua inscrição em 8 de outubro, após questionamentos sobre a autenticidade da licença.
A ATFA (Associação de Técnicos do Futebol Argentino) informou não possuir registro acadêmico de Diego Souza no curso especificado no diploma, datado de dezembro de 2023. A associação também apontou incompatibilidade entre a data de emissão e a assinatura do secretário-geral. A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) declarou não ter localizado nenhuma licença em nome do brasileiro.
A acusação foi baseada no artigo 234, parágrafo 1º, do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva), que penaliza o uso de documento falsificado com conhecimento da falsidade. A alegação de Diego Souza de que desconhecia a irregularidade é, portanto, central em sua defesa.
Carreira como treinador e próximos passos
Diego Souza assumiu o Joinville em agosto, marcando sua primeira experiência como técnico após o fim da carreira de jogador. O ex-atacante, que defendeu a Seleção Brasileira e clubes como Grêmio, Palmeiras, Vasco e Sport, estava impedido de acessar estádios desde a comunicação da suspensão preventiva ao clube em 23 de outubro. O auxiliar Raphael Bahia assumiu o comando da equipe em campo, embora Diego pudesse continuar participando dos treinamentos.
A condenação ainda pode ser contestada no Pleno do TJD-SC, instância superior responsável por revisar as decisões das comissões disciplinares. O período de suspensão preventiva já cumprido será considerado na execução da pena.
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