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Descoberta de cidade milenar preservada por erupção vulcânica no Egito

05 de novembro de 2026

Destaques

  • •Vestígios de uma cidade da Idade do Bronze, Acrotíri, foram encontrados em Santorini, Grécia.
  • •A cidade foi soterrada e preservada por uma erupção vulcânica há mais de 3.500 anos, semelhante a Pompeia.
  • •Arqueólogos buscam entender o destino dos habitantes e a extensão do assentamento.

Em meados do século 19, enquanto o Canal de Suez tomava forma no Egito, uma descoberta acidental em Santorini, Grécia, revelou vestígios de uma civilização milenar. Durante a mineração de matéria-prima para a obra egípcia, operários encontraram construções pré-históricas soterradas. As escavações posteriores desvendaram a antiga cidade de Acrotíri, da Idade do Bronze, que prosperou no Mar Egeu há mais de 3.500 anos.

A cidade, comparada a Pompeia pela sua preservação, foi destruída e coberta por cinzas e pedra-pomes após uma erupção colossal do vulcão de Thera, antigo nome de Santorini. Estima-se que o evento, ocorrido entre 1620 a.C. e 1530 a.C., tenha liberado quatro vezes mais material vulcânico do que a erupção do Krakatoa em 1883. A espessa camada de material vulcânico, que chega a 60 metros em alguns pontos, isolou as estruturas da luz, ar e umidade, garantindo sua conservação.

A descoberta e a preservação de Acrotíri

A descoberta inicial ocorreu em 1867, mas as escavações sistemáticas só começaram em 1967, lideradas pelo arqueólogo Spyridon Marinatos. Desde então, mais de 35 construções foram identificadas em uma área de pouco mais de um hectare, embora a estimativa para o assentamento inteiro seja de cerca de 20 hectares. A preservação excepcional permitiu aos arqueólogos encontrar ruas pavimentadas, sistemas de drenagem e casas de até três andares.

O interior das residências revelou afrescos vibrantes, como o de garotos boxeando, andorinhas entre flores e um pescador, além de miniaturas de navios. Esses achados, semelhantes aos murais egípcios, oferecem um vislumbre do cotidiano e da arte da época. A cidade também demonstrava ser um centro comercial ativo, com cerâmicas e artefatos indicando contato com todo o Mediterrâneo Oriental.

Comércio e mistério sobre os habitantes

Acrotíri mantinha rotas comerciais que incluíam a troca de bens manufaturados e metais como cobre, estanho, chumbo, prata e ouro. Artefatos como marfim, ovos de avestruz e pigmentos evidenciam a amplitude de suas conexões comerciais.

Um dos maiores mistérios que cercam Acrotíri é a ausência de restos mortais de seus habitantes. Diferentemente de Pompeia, onde esqueletos de vítimas foram encontrados, em Acrotíri não há indícios de mortes em massa. Isso sugere que a maioria, se não todos, os moradores conseguiram escapar antes da erupção devastadora.

Visitação e acervo

O sítio arqueológico de Acrotíri está aberto ao público, permitindo aos visitantes explorar as ruínas com ou sem guias. O Museu da Thera Pré-Histórica, em Fira, capital da ilha, exibe muitos dos artefatos encontrados. Os afrescos mais famosos, contudo, como o dos garotos boxeando e o das andorinhas, estão preservados no Museu Arqueológico Nacional, em Atenas.

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