Vida & SaúdeRelevância BR: 5/10

Depressão resistente: escetamina intranasal traz nova esperança a paciente

24 de outubro de 2026
Depressão resistente: escetamina intranasal traz nova esperança a paciente

Destaques

  • •Paciente com depressão resistente ao tratamento encontra melhora significativa com escetamina intranasal após mais de uma década de tratamentos sem sucesso.
  • •O novo tratamento, que atua no sistema glutamatérgico do cérebro, permitiu ao paciente retomar atividades cotidianas, sociais e hobbies, como a restauração de uma motocicleta antiga.
  • •A escetamina intranasal é aplicada em ambiente clínico sob supervisão médica devido a possíveis efeitos colaterais como elevação da pressão arterial e sedação.

Após mais de uma década de tratamentos para depressão sem obter melhora duradoura, Ivo Rockenbach, 58 anos, encontrou uma nova perspectiva de recuperação com o uso de escetamina intranasal. A doença impactava severamente seu trabalho, vida social e até mesmo decisões simples do dia a dia. Em 2024, o diagnóstico de depressão resistente ao tratamento marcou o início de uma nova abordagem terapêutica que tem trazido resultados positivos.

Hoje aposentado, Ivo relata uma significativa melhora em sua qualidade de vida. Ele voltou a interagir socialmente, participar de encontros e retomar projetos pessoais, como a restauração de uma motocicleta antiga que estava parada desde 2017 e que chegou a ser considerada para venda devido à sua incapacidade de dar continuidade ao trabalho.

Os primeiros sinais e a evolução da doença

Os primeiros sinais da depressão em Ivo foram confundidos com timidez desde a infância. Dificuldades de relacionamento e a ausência de amizades marcavam sua juventude. Embora seus pais tenham buscado acompanhamento psicológico, não houve um diagnóstico conclusivo na época, e a condição foi interpretada como parte de sua personalidade.

Ao ingressar na vida profissional, Ivo esperava que as dificuldades de interação diminuíssem, mas o isolamento persistiu. A morte de sua mãe, entre 2009 e 2010, intensificou o quadro de tristeza e desânimo, levando-o a buscar ajuda profissional. Ele percebeu que os sentimentos de tristeza e desânimo haviam atingido uma proporção que ele não conseguia mais gerenciar sozinho.

A depressão também comprometeu sua capacidade de aprendizado e execução de tarefas. Embora mantivesse o emprego, suas atividades se limitavam a funções básicas, com grande dificuldade para interpretar textos, absorver informações e tomar decisões. O Ministério da Saúde descreve a depressão como uma condição que pode causar falta de energia, perda de interesse, alterações no sono, dificuldade de concentração e lentificação do pensamento.

Depressão resistente: quando o tratamento precisa ser reavaliado

Ao longo dos anos, Ivo passou por cerca de 15 tratamentos diferentes, incluindo medicamentos e combinações terapêuticas. Em alguns momentos, experimentava uma recuperação temporária da disposição, mas os sintomas invariavelmente retornavam, gerando sentimentos de desespero e fracasso.

A depressão resistente ao tratamento é caracterizada pela falta de resposta satisfatória a, no mínimo, dois tratamentos antidepressivos de classes distintas, administrados em doses e por períodos adequados durante um mesmo episódio depressivo. Antes de confirmar o diagnóstico, é crucial verificar a correta utilização dos medicamentos e investigar outras condições que possam estar contribuindo para a persistência dos sintomas.

No caso de Ivo, diversas abordagens terapêuticas foram empregadas sem que ele alcançasse a remissão completa dos sintomas. Dificuldades de concentração e memória que comprometem tarefas, cansaço e perda de prazer que limitam atividades, isolamento social e profissional persistente, alterações no sono e humor contínuas, e desesperança ou pensamentos de morte são sinais que indicam a necessidade de reavaliação do tratamento.

A nova esperança com a escetamina intranasal

Em 2024, a médica Yasmin de Andrade identificou a depressão resistente ao tratamento de Ivo e prescreveu escetamina intranasal. O acompanhamento das aplicações ficou a cargo de Karine Furlanetto, especialista em psicoterapia. Ivo recebeu sua primeira aplicação em 10 de outubro de 2024, Dia Mundial da Saúde Mental.

Segundo o relato de Ivo, poucas horas após a aplicação, ele começou a sentir sensações de bem-estar que não experimentava há anos. Naquela noite, ele conseguiu acompanhar sua esposa a uma festa de aniversário, algo que antes evitaria devido ao seu isolamento social. Ele considera essa data seu "segundo aniversário", pois percebeu que o novo tratamento poderia lhe devolver a vida.

A escetamina atua no sistema do glutamato, uma substância chave na comunicação entre as células cerebrais, promovendo processos relacionados à formação e reorganização de conexões neurais. O tratamento intranasal é administrado em conjunto com um antidepressivo oral e requer monitoramento em ambiente clínico ou hospitalar devido a possíveis efeitos colaterais, como elevação temporária da pressão arterial, sedação, tontura, náuseas e alterações na percepção.

O acompanhamento médico contínuo é essencial para avaliar tanto a redução dos sintomas quanto a recuperação da capacidade de conviver, pensar e realizar atividades cotidianas. Sintomas que persistirem e continuarem a prejudicar a rotina devem ser comunicados ao profissional de saúde responsável. Há cerca de três meses, Ivo retomou o projeto de restauração de sua motocicleta antiga, um hobby que representa uma "óbvia vitória pessoal" após anos de limitações impostas pela doença.

Receba as Melhores Notícias

Assine nossa newsletter e receba diariamente as notícias mais relevantes, sem viés político.

Edição matinal diária às 07:00 • 7 minutos de leitura • Gratuita.

Notícias Relacionadas