Debate da escala 6x1: Lobistas com dívidas e conflitos de interesse em jogo

Destaques
- •Proposta que proíbe a escala 6x1 avança na Câmara dos Deputados, enfrentando forte oposição empresarial.
- •Representantes do setor empresarial dominaram audiências na CCJ, com 78,8% dos indicados.
- •Lobistas e empresários ligados a setores como têxtil e de bares/restaurantes possuem dívidas com a União e histórico em processos trabalhistas.
A proposta que busca proibir a escala 6x1, que permite jornadas de trabalho estendidas, avançou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. O texto agora segue para uma Comissão Especial, mas o debate já expõe conexões e interesses.
A análise dos requerimentos para audiências públicas na CCJ revelou uma forte predominância do setor empresarial: 52 de 66 indicados (78,8%) eram representantes de empresas, levantando questões sobre a imparcialidade do debate.
Entre os opositores da medida, surgiram figuras com histórico controverso. O lobista da indústria têxtil, Fernando Valente Pimentel, figura no Banco Nacional de Devedores Trabalhistas. Já Paulo Solmucci Júnior, presidente da Abrasel, representa empresas com mais de R$ 6,9 milhões em dívidas ativas com a União.
O cenário se completa com o deputado Lucas Redecker, que indicou seu próprio tio para audiência sobre a escala 6x1, levantando suspeitas de conflito de interesse em sua atuação em defesa do setor coureiro-calçadista, onde sua família tem participação.
A tramitação segue, mas os bastidores revelam uma batalha de interesses onde a voz do empresariado parece ter tido um peso desproporcional nas discussões iniciais. 📉




