Data Centers e IA: A Idade da Eletricidade e as Novas Zonas de Sacrifício

Destaques
- •Consumo elétrico de data centers cresceu 12% ao ano entre 2017 e 2023.
- •Digitalização e IA impulsionam demanda por energia, mas trazem impactos socioambientais.
- •Brasil, com matriz elétrica descarbonizada, atrai data centers, mas corre o risco de se tornar 'colonialismo de dados'.
A expansão do consumo elétrico de data centers, que cresceu 12% ao ano entre 2017 e 2023, impulsionada pela digitalização e pela Inteligência Artificial, nos joga na chamada Idade da Eletricidade. Contudo, essa nova era traz consigo a criação de "zonas de sacrifício" verdes, onde a extração de recursos para tecnologias ditas limpas gera impactos ambientais e sociais.
Embora a eletrificação seja vista como chave para reduzir emissões, a demanda crescente por energia para data centers, especialmente os focados em IA, esbarra em limites planetários. A busca por recursos como cobalto e balsa, mesmo para fins "limpos", reflete um padrão de extrativismo que explora ecossistemas e mão de obra, muitas vezes em países do Sul Global.
O Brasil, com sua matriz elétrica mais descarbonizada, torna-se um destino atraente para data centers. No entanto, essa vantagem pode nos empurrar para um cenário de "colonialismo de dados", onde fornecemos recursos sem controle sobre a tecnologia final. É crucial um debate sobre soberania digital e ecológica, avaliando não apenas as emissões, mas o uso de solo, água e a demanda por minerais críticos, garantindo que a expansão digital sirva a prioridades reais e não apenas a interesses corporativos.

