Data Center na Amazônia: Legado da COP30 ou Novo Colonialismo Digital?

Destaques
- •Data center BEL1 em Belém levanta dúvidas sobre licenciamento e impactos ambientais.
- •Investimento de R$ 250 milhões anunciado sem consulta prévia às comunidades locais.
- •Críticos alertam para um modelo de exploração de recursos similar ao colonialismo.
Anunciado como um "legado da COP30", o data center BEL1 em Belém, no Pará, está avançando sem respostas claras sobre licenciamento, consumo de energia e benefícios reais para a população local.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belém declarou não ter recebido qualquer processo de licenciamento ambiental para o projeto, que prevê um investimento inicial de R$ 250 milhões e capacidade de 7,5 megawatts, com planos de expansão. A Elea Data Centers, responsável pelo empreendimento, afirma que a demanda já é garantida por "clientes âncora" não divulgados.
Essa falta de transparência levanta o fantasma do "velho colonialismo", onde o território fornece recursos como energia e localização, mas a população local fica à margem das decisões e dos lucros, que podem ser transferidos para centros econômicos distantes.
O Ministério Público do Pará já instaurou inquérito civil para apurar a legalidade do BEL1 e seus possíveis impactos, especialmente nas comunidades ribeirinhas próximas. A questão central é se a Amazônia se tornará apenas mais um fornecedor de território e eletricidade para uma economia digital global, sem poder de decisão ou benefícios concretos.
A tecnologia pode ser nova, mas a lógica de exploração parece antiga. O futuro do BEL1 definirá se o legado da COP30 será de desenvolvimento inclusivo ou de continuação de um ciclo histórico de extração de valor. 📉



