Congelamento de óvulos: a corrida contra o tempo que expõe desigualdades

Destaques
- •Aumento de 47,6% no congelamento de embriões no Brasil entre 2020 e 2024.
- •Mercado global de fertilidade estimado em US$ 42,2 bilhões em 2023, com projeção de mais de US$ 70 bilhões até 2030.
- •Acesso limitado às técnicas de reprodução assistida no Brasil devido a desigualdades sociais e falta de cobertura pública e de planos de saúde.
O congelamento de óvulos e outras técnicas de reprodução assistida estão em alta no Brasil, com quase 545 mil embriões congelados entre 2020 e 2024. Um salto de 47,6% no período, mostrando que a busca por preservar a fertilidade se tornou um mercado global bilionário.
O adiamento da maternidade e paternidade impulsiona esse crescimento, mas a realidade é que nem todos têm acesso a essas alternativas. A ginecologista Ana Paula Avritscher Beck aponta que a fertilidade tardia ainda é uma escolha restrita a poucos grupos.
A situação é ainda mais complexa quando consideramos que a probabilidade de engravidar cai drasticamente após os 35 anos, e fatores como endometriose, miomas e até mesmo o envelhecimento paterno podem impactar a fertilidade.
Mas a grande barreira, que impede que essa tecnologia seja um divisor de águas para a maioria, é a desigualdade social. A falta de cobertura pelo sistema público e por planos de saúde restringe o uso dessas técnicas a uma minoria, perpetuando desigualdades e limitando escolhas reprodutivas.
Apesar de o mercado de reprodução assistida crescer, ele representa um impacto insignificante no quadro demográfico geral do Brasil, que registra a menor taxa de fecundidade da história. A demógrafa Laura Wong reforça que o foco deveria ser em entender e melhorar as condições sociais e econômicas que afetam o comportamento reprodutivo da população, e não em induzir decisões privadas. O direito de decidir sobre ter filhos é individual. 💰




