Celso Amorim defende reciprocidade em salvaguardas comerciais contra a UE

Destaques
- •Brasil pode retaliar União Europeia com salvaguardas comerciais se agronegócio for afetado.
- •Governo prepara decreto presidencial para proteger produtores nacionais.
- •Acordo Mercosul-UE avança no Brasil, mas enfrenta resistência na Europa.
O ex-chanceler Celso Amorim, assessor especial da Presidência, acendeu o sinal vermelho para a União Europeia. Ele defende que o Brasil aplique salvaguardas comerciais recíprocas caso o bloco europeu use esse expediente para limitar a importação de produtos do agronegócio nacional.
A ideia é pressionar a indústria alemã a reclamar com os agricultores franceses, numa jogada de xadrez geopolítico que Amorim considera crucial para a manutenção do sistema multilateral de comércio.
Enquanto isso, o governo brasileiro corre para publicar um decreto presidencial que regulamentaria um sistema de proteção a produtores nacionais, especialmente nos setores de lácteos e vinhos, que temem a concorrência europeia. A proposta já foi distribuída entre ministérios chave, como Itamaraty, Fazenda e Agricultura.
O acordo Mercosul-UE, que já foi aprovado pela Câmara e tende a ser ratificado rapidamente no Senado, ganha força nos demais sócios do bloco, com expectativa de aprovação completa até março. A tática brasileira e dos vizinhos é pressionar a União Europeia, onde o processo está travado judicialmente, na esperança de que o acordo seja aplicado provisoriamente.
O Parlamento Europeu já aprovou salvaguardas agrícolas para produtos sensíveis como aves, carne bovina e frutas cítricas, com gatilhos de importação e preços que a bancada ruralista brasileira considera uma barreira. A expectativa é que as primeiras operações de financiamento para o setor aéreo, com regras mais flexíveis, sejam contratadas até o fim do primeiro semestre.



