CBF se preocupa com contratos de direitos de transmissão de clubes do Brasileirão

Destaques
- •A CBF expressou preocupação com os contratos de direitos de transmissão firmados por blocos de clubes, temendo que rebaixamentos possam gerar perdas financeiras.
- •Os acordos com a TV Globo preveem redução de até R$ 100 milhões na remuneração coletiva de blocos como a FFU caso o número de clubes na Série A diminua.
- •A FFU afirma que o modelo preserva a autonomia esportiva e que a redução de receita é proporcional à menor divisão entre menos clubes.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) manifestou preocupação com os contratos de direitos de transmissão firmados pelos clubes do Campeonato Brasileiro por meio de blocos como a Futebol Forte União (FFU) e a Libra. A apreensão reside na possibilidade de que o rebaixamento de equipes para a Série B possa gerar impactos financeiros negativos para os blocos, devido à vinculação de parte da remuneração ao número de clubes na elite do futebol nacional.
Restando quatro rodadas para o fim do Brasileirão, o cenário que mais assusta a CBF é a atuação irregular de clubes que já garantiram sua permanência na Série A, mas que poderiam favorecer equipes do mesmo bloco em risco de rebaixamento. O objetivo seria evitar perdas financeiras coletivas decorrentes da diminuição do número de representantes na primeira divisão.
Impacto financeiro dos rebaixamentos
Na FFU, o contrato com a TV Globo estabelece uma referência de R$ 850 milhões anuais para 12 clubes. Caso o número de integrantes do bloco na Série A seja inferior a essa marca, o valor é reduzido em R$ 100 milhões. O cálculo funciona de forma inversa, com acréscimos se houver mais representantes na elite.
Já na Libra, o contrato considera 9 clubes como referência. A cada integrante abaixo desse número, há uma redução de 11% na remuneração. É importante notar que esses valores não representam perdas ou ganhos individuais diretos de R$ 100 milhões para cada clube, mas sim alterações na remuneração coletiva dos blocos, que posteriormente distribuem os recursos entre seus membros.
A composição das divisões também afeta a distribuição de receitas da FFU. A partir de 2027, o bloco projeta destinar 85% dos valores de direitos de transmissão aos clubes da Série A e 15% aos representantes da Série B.
Posicionamento da FFU e da CBF
A FFU afirmou que o modelo de remuneração foi estruturado para preservar a autonomia esportiva dos clubes. A organização argumentou que a redução dos valores destinados ao bloco é acompanhada pela diminuição do número de equipes entre as quais os recursos são divididos. Portanto, a permanência de um clube na Série A não representa necessariamente um ganho financeiro para os demais.
Segundo a FFU, a distribuição de receitas segue critérios previamente estabelecidos: 45% de forma igualitária, 30% por desempenho esportivo e 25% por audiência. A entidade ressaltou que sua atuação se concentra na administração dos direitos comerciais compartilhados, enquanto a organização do campeonato, seus regulamentos e a arbitragem são atribuições institucionais próprias.
A CBF informou que não irá se manifestar sobre o assunto. A TV Globo foi procurada, mas não respondeu até a publicação desta reportagem.
Discussão sobre liga única
A criação de uma liga única, reunindo os clubes em uma estrutura unificada de comercialização e organização do campeonato, é uma das discussões em andamento no futebol brasileiro. Essa mudança poderia alterar significativamente o atual modelo de negociação dos direitos de transmissão e os critérios de distribuição das receitas, potencialmente resolvendo as preocupações levantadas pela CBF.
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