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Câncer de mama: cobertura de mamografia no Brasil é 3x menor que o recomendado pela OMS

20 de outubro de 2026
Câncer de mama: cobertura de mamografia no Brasil é 3x menor que o recomendado pela OMS

Destaques

  • •Apenas 23,7% das brasileiras entre 50 e 69 anos realizaram mamografia bienal, bem abaixo da meta de 70% da OMS.
  • •Atrasos no diagnóstico e tratamento chegam a 214 dias, e 20.339 mortes foram registradas em 2023, um recorde.
  • •Acesso desigual e baixa conscientização sobre a doença persistem, especialmente entre mulheres negras e de baixa renda.

A cobertura mamográfica no Brasil para mulheres de 50 a 69 anos atingiu apenas 23,7% entre 2023 e 2024, um índice significativamente inferior à recomendação de 70% a cada dois anos estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa baixa adesão impede que milhões de brasileiras tenham acesso ao diagnóstico precoce do câncer de mama, fase crucial para aumentar as chances de cura.

O câncer de mama é o tipo mais frequente entre as brasileiras, excluindo-se o câncer de pele não melanoma, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). A detecção precoce é fundamental, mas o acesso aos exames de rastreamento é desigual. Dados do Panorama do Câncer de Mama 2025, do Instituto Natura e Movimento Todos Juntos Contra o Câncer, revelam que apenas 41,7% das mamografias de rastreamento realizadas pelo SUS foram feitas por mulheres negras, enquanto mulheres brancas representaram 46,8%.

Atraso no tratamento e alta mortalidade

O atraso no início do tratamento é outro ponto crítico. Embora a legislação determine o início em até 60 dias após o diagnóstico, o intervalo chegou a 214 dias em 2023. Nesse mesmo ano, o Brasil registrou 20.339 mortes por câncer de mama, o maior número da série histórica. A falha em qualquer etapa da jornada — desde a mamografia até a confirmação diagnóstica e início do tratamento — compromete o benefício da detecção precoce.

A complexidade do processo exige uma política nacional integrada para garantir que a detecção precoce resulte em início rápido do tratamento. A falta de integração entre as fases pode levar à perda de tempo valioso para a paciente.

Baixa conscientização e acesso desigual

O problema se agrava pela baixa conscientização sobre a doença. O Índice de Conscientização sobre o Câncer de Mama 2025, realizado pelo Instituto Natura e Avon, aponta que apenas 29% das brasileiras têm conhecimento suficiente sobre fatores de risco, sintomas, exames e direitos relacionados ao câncer de mama. Entre mulheres pardas e negras, esse índice é ainda menor, com apenas 28% apresentando níveis altos ou muito altos de conscientização, comparado a 34% entre mulheres brancas.

O acesso à informação sobre quando iniciar a mamografia também difere. Apenas 1 em cada 10 mulheres que utilizam o SUS sabe a idade correta para iniciar o exame, enquanto entre as que possuem planos de saúde, essa taxa é de 4 em cada 10.

Recomendações e avanços recentes

A Sociedade Brasileira de Mastologia e outras entidades médicas recomendam a mamografia para rastreamento entre 40 e 74 anos. O Ministério da Saúde ampliou, em 2025, o acesso à mamografia pelo SUS para mulheres de 40 a 49 anos, mediante decisão compartilhada com o profissional de saúde, reconhecendo a importância do exame para essa faixa etária, que representa quase um quarto dos casos da doença.

No entanto, a ampliação da indicação não garante o acesso. Em 2024, o SUS realizou 4,4 milhões de mamografias, mas a maioria foi de rastreamento em pacientes sem sintomas, representando uma fração das mulheres que deveriam ter sido examinadas. É importante ressaltar que o autoexame, embora útil para conhecer o corpo, não substitui a mamografia para detecção precoce, pois a doença costuma ser assintomática nas fases iniciais.

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