Câncer de Mama: 29% das brasileiras desconhecem métodos de detecção precoce

Destaques
- •Pesquisa aponta que quase um terço das mulheres no Brasil não conhece os métodos de detecção precoce do câncer de mama.
- •A mamografia é o exame padrão-ouro, mas a conscientização sobre fatores de risco e sintomas ainda é baixa.
- •Especialistas alertam para a importância do diagnóstico precoce e desmistificam crenças comuns sobre a doença.
Uma pesquisa recente revelou que 29% das brasileiras não possuem conhecimento adequado sobre os métodos de detecção precoce do câncer de mama, o tipo mais frequente entre as mulheres no país, excluindo o câncer de pele não melanoma, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). O levantamento, realizado pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus com 1.038 mulheres, indica uma lacuna significativa na conscientização sobre fatores de risco, sintomas e exames relacionados à doença.
O problema se estende à familiaridade com a mamografia, exame considerado padrão-ouro para o rastreamento. Um índice sobre conscientização da doença, realizado pelo Instituto Natura e Avon, corrobora os achados, mostrando que apenas 29% das brasileiras têm informações suficientes sobre o tema.
Desmistificando mitos sobre o câncer de mama
A pesquisa também abordou crenças populares sobre o câncer de mama, desmistificando oito mitos comuns. Um deles é que a doença só atinge mulheres mais velhas. Embora o risco aumente com a idade, cerca de 33% dos casos no Brasil ocorrem em mulheres com menos de 50 anos, segundo o Painel Oncologia Brasil. O crescimento da incidência em jovens é um fenômeno mundial, associado a fatores de estilo de vida, perfil reprodutivo e predisposição genética.
Outro mito é que todo nódulo na mama é câncer. Na verdade, a maioria não é maligna. No entanto, médicos recomendam que qualquer alteração seja avaliada. A mastologista Sara Dutra, do Inca, explica que a aparência do nódulo, como bordas irregulares ou partes sólidas, é um sinal de alerta que deve ser investigado por exames.
A ideia de que apenas mulheres com histórico familiar devem se preocupar também é um equívoco. Embora o histórico familiar aumente o risco, muitas mulheres diagnosticadas não possuem alterações genéticas conhecidas. O oncologista Sérgio Simon, do Hospital Israelita Albert Einstein, aponta que o risco de uma mulher sem fatores de risco desenvolver a doença é de cerca de 12%, mas pode saltar para 80% em famílias com mutações nos genes BRCA1 e BRCA2.
Sintomas, diagnóstico e rastreamento
O primeiro sinal de câncer de mama frequentemente é um nódulo, mas outros sintomas como dor, inchaço, alterações na pele ou mamilo, e linfonodos na axila também podem ocorrer. Em alguns casos, a doença é assintomática no diagnóstico. É importante ressaltar que homens também podem desenvolver a doença, embora seja raro (1% dos casos), e costuma ser descoberto em estágios avançados.
O diagnóstico não se baseia apenas na palpação. A avaliação médica, histórico do paciente e exames de imagem como mamografia e ultrassonografia são essenciais. Em caso de lesão suspeita, a biópsia confirma o diagnóstico. A mamografia, apesar de usar radiação, é segura e seus benefícios superam os riscos, sendo fundamental para o rastreamento.
O autoexame, embora ajude a mulher a conhecer seu corpo, não garante a detecção precoce, pois a doença costuma ser assintomática nas fases iniciais. O rastreamento recomendado pela Sociedade Brasileira de Mastologia e outras entidades é a mamografia anual para mulheres de 40 a 74 anos. O Inca e o Ministério da Saúde sugerem rastreamento a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos, e sob demanda para as de 40 a 49 anos.
Matérias originais
- 8 mitos sobre câncer de mama · drauziovarella.uol.com.br



