Cain Velasquez detalha perseguição e tiros em depoimento sobre prisão

Destaques
- •Ex-campeão do UFC Cain Velasquez detalha os eventos que levaram à sua prisão em fevereiro de 2022.
- •Velasquez narra a perseguição de carro e os disparos contra o veículo onde estava o homem acusado de abusar de seu filho.
- •O lutador relata sua experiência na prisão e como a situação o levou a uma reflexão profunda sobre a vida.
O ex-campeão peso-pesado do UFC, Cain Velasquez, detalhou em entrevista ao programa Shawn Ryan Show os eventos que culminaram em sua prisão em fevereiro de 2022, após uma perseguição em alta velocidade na Califórnia. Na ocasião, Velasquez tentou atirar contra um veículo onde estava Harry Goularte, acusado de abuso sexual contra o filho do lutador. Velasquez, que se declarou inocente das acusações, incluindo tentativa de homicídio, foi condenado a cinco anos de prisão e obteve liberdade condicional em fevereiro deste ano, após cumprir parte da pena em prisão domiciliar e na cadeia.
O relato da denúncia e a liberação do acusado
Velasquez contou que descobriu o abuso quando seu filho, após ser colocado para dormir, revelou o que estava acontecendo na creche. Após fazer a denúncia às autoridades, ele soube que Harry Goularte, filho da proprietária da creche, era o responsável. Velasquez questionou se outras crianças estavam envolvidas e seu filho confirmou. Goularte foi preso, mas, segundo o lutador, foi liberado sem monitoramento na mesma semana, aproveitando o fim de semana em que os órgãos responsáveis não funcionavam.
O lutador expressou seu sentimento de traição não apenas pela creche, administrada pela mãe e padrasto de Goularte, que permitiram os abusos, mas também pela comunidade que, segundo ele, sabia do ocorrido e não agiu. A situação se agravou quando a proprietária da creche enviou um e-mail aos pais, negando as acusações e anunciando a reabertura do local, o que, para Velasquez, demonstrou a falha do sistema.
A perseguição e os disparos
Sentindo-se impotente e com a dor do filho à flor da pele, Velasquez relatou que, após um passeio ao zoológico com a família, decidiu dar uma volta de carro. Ele estava armado e com pensamentos de encontrar Goularte. Em um momento de descontrole, ele avistou o veículo onde estavam Goularte e seu padrasto, e decidiu segui-los. Em uma conversa com Deus, ele sentiu que a situação foi colocada em seu caminho e agiu.
O que se seguiu foi uma perseguição de aproximadamente 18 quilômetros, durante a qual Velasquez disparou contra a caminhonete. Ele admitiu que atirou com a intenção de atingir qualquer um dos ocupantes, pois os considerava culpados. Apenas o padrasto de Goularte foi atingido no braço. Velasquez reconheceu o risco de atingir inocentes, mas afirmou que não estava raciocinando normalmente e que sua vontade de viver havia desaparecido naquele momento.
Experiência na prisão e reflexões
Após a perseguição, Velasquez foi preso. Ele passou nove meses na cadeia, período que descreveu como de isolamento, mas que encarou como parte de seu caminho e crescimento pessoal. Ele sentiu-se protegido e guiado, vendo o isolamento como uma bênção disfarçada que o forçou a confrontar a si mesmo e a refletir sobre a vida.
Velasquez destacou a oportunidade de aprender a estar confortável consigo mesmo, mesmo em um ambiente restrito. Ele descreveu o período como um momento de profunda reflexão, onde precisou colocar em prática tudo o que havia aprendido, tornando sua visão sobre a vida mais especial e profunda. A situação, apesar de traumática, também serviu para unir pessoas e facilitar conversas sobre experiências de vida e traumas.



