Cadeia de Suprimentos no Brasil: Muita Tecnologia, Pouca Estratégia

Destaques
- •88% das empresas usam IA Generativa em tarefas básicas, mas só 14% exploram seu potencial analítico/preditivo.
- •Empresas planejam investir R$ 1,8 milhão em tecnologia para supply chain, com saneamento de dados e plataformas em alta.
- •A capacitação da equipe e o engajamento da liderança são cruciais para o sucesso da adoção tecnológica.
A primeira edição do Índice de Maturidade Tecnológica em Supply Chain (IMTS) 2026 jogou luz sobre um paradoxo brasileiro: usamos muita tecnologia na cadeia de suprimentos, mas tiramos pouco proveito estratégico dos dados gerados.
O levantamento mostrou que, embora 88% das empresas já usem IA Generativa em tarefas básicas, apenas 14% avançaram para o uso analítico ou preditivo com Agentes de IA. O estudo, que ouviu 456 empresas, revelou que a infraestrutura básica como ERP está consolidada (98%), mas a capacidade de transformar dados em inteligência de negócio ainda engatinha.
Em paralelo, as empresas planejam investir cerca de R$ 1,8 milhão em novas tecnologias para a área, com saneamento de dados e plataformas liderando os investimentos. A IA, por sua vez, aparece com um montante menor, refletindo sua adoção ainda incipiente.
Mas o que isso significa na prática?
Ainda vivemos uma era de "obesidade de informação e escassez de análise de valor", como aponta Marcelo Zeferino, CCO da Prestex. Ele exemplifica com a logística ultraexpressa B2B, onde cada minuto conta e a IA avançada já mostra resultados: a Prestex, por exemplo, viu seus Agentes de IA da HubSpot resolverem 30% dos atendimentos sem intervenção humana e reduzirem o tempo de resposta para rastreamento urgente para 10 minutos.
No entanto, o estudo do IMTS também destaca que a capacitação da equipe (54%) e o engajamento da liderança (49%) são as principais barreiras e fatores de sucesso para a adoção tecnológica. A automação com IA, segundo Zeferino, libera o capital humano para atuar onde a inteligência e o discernimento humano são insubstituíveis. Um equilíbrio que promete otimizar as operações e mitigar riscos.

