Braskem: Nova diretoria assume e mira reestruturação financeira complexa

Destaques
- •Nova gestão da Braskem busca um "standstill" de 90 dias para suspender pagamentos de dívidas.
- •A empresa não tem condições de honrar juros de US$ 150 milhões que vencem em julho.
- •Diferente da Raízen, não haverá conversão de dívida em ações (debt-for-equity) nem aporte da Petrobras.
A Braskem tem uma nova diretoria e conselho eleitos, marcando o fim da transição de controle. Agora, o desafio é a reestruturação financeira da gigante petroquímica brasileira.
A nova gestão pretende propor um "standstill" de 90 dias aos credores, suspendendo temporariamente pagamentos de dívidas. O motivo? A empresa precisa de fôlego para honrar cerca de US$ 150 milhões em juros que vencem em julho, um valor que não tem como pagar no formato atual.
A estratégia é diferente do que vimos na Raízen. Na Braskem, a meta não é converter dívida em participação acionária (debt-for-equity), e a Petrobras, co-controladora, não fará aporte de capital.
A prioridade é ganhar tempo para reorganizar o fluxo de caixa. A dívida bruta da companhia soma US$ 9,4 bilhões (cerca de R$ 48 bilhões), com alavancagem de 16,8 vezes o Ebitda. A situação se complica com a subsidiária mexicana Braskem Idesa, que já está em default e busca reorganização via Chapter 11 nos EUA.
O plano envolve reestruturação financeira, operacional e comercial, com foco em gerar valor a longo prazo. A venda de alguns ativos, como terminais portuários e unidades de energia, também está no radar. A nova diretoria, com nomes como Helcio Tokeshi (CEO) e Carlos Brandão (Finanças), tem um desafio de no mínimo cinco anos pela frente.




