Banco Master: A fábrica de documentos que movimentou R$ 7,15 bilhões.

Destaques
- •PF descobre esquema de 'fábrica de documentos' no Banco Master.
- •Empresa de fachada, Tirreno Consultoria, usava dados reais para simular cessão de R$ 7,15 bilhões em dívidas.
- •Créditos falsificados foram repassados ao BRB, que aceitou as operações irregularmente.
A Polícia Federal desvendou um esquema de 'fábrica de documentos' no Banco Master. Uma apresentação encontrada em um HD detalha como funcionários criaram uma operação para forjar contratos e simular a cessão de R$ 7,15 bilhões em dívidas.
A Tirreno Consultoria, uma empresa de fachada sem capacidade operacional, foi usada para mascarar a falta de lastro das operações. Créditos falsificados, baseados em dados reais de clientes do programa CredCesta, eram atribuídos à Tirreno e, posteriormente, repassados ao Banco de Brasília (BRB), que aceitou as irregularidades.
A investigação aponta que, entre dezembro de 2024 e maio de 2025, Master e Tirreno firmaram 28 instrumentos de cessão de crédito consignado. A perícia da PF constatou que não houve liquidação financeira real, com os valores bilionários restritos a lançamentos escriturais internos no Banco Master.
O esquema envolvia a extração de dados de clientes e contratos, processamento em softwares desenvolvidos para a tarefa e a produção em escala de documentos financeiros como Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), Termos de Consentimento e Procurações. A apresentação também registrava a retirada de datas e páginas de documentos, inclusive de assinatura, e a solicitação de comprovantes de transferências financeiras sem rastreabilidade.
O BRB aceitou os créditos mesmo diante das irregularidades, o que eleva a tensão para as próximas etapas da investigação, com o ministro Fachin determinando prazo para liberação de sigilo de documentos relacionados ao caso.

