Antifeminismo 2.0: Mulheres que negam o voto feminino e lideram a direita

Destaques
- •Influenciadoras e políticas conservadoras, como Pietra Bertolazzi e Michelle Bolsonaro, protagonizam o 'antifeminismo ciberativista' e 'de estado' no Brasil e no exterior.
- •O fenômeno se manifesta através de discursos que, paradoxalmente, convocam mulheres à política, mas sob condições específicas de moralidade, religião e submissão.
- •A ascensão dessas figuras demonstra uma estratégia da extrema direita para atrair o eleitorado feminino, essencial para a consolidação de projetos de poder.
A frase chocante “sou contra o voto feminino” veio de Pietra Bertolazzi, influenciadora com mais de um milhão de seguidores, em pleno 2026. Essa declaração, que ecoa ideias do início do século 20, é um sintoma do novo antifeminismo que ganha força no Brasil e no mundo.
Não se trata apenas de negar o direito ao voto, mas de uma disputa mais ampla sobre quem pode participar da esfera pública e sob quais condições. Figuras como Michelle Bolsonaro, Erika Kirk (EUA) e Victoria Villarruel (Argentina) exemplificam essa nova onda.
Essas mulheres, muitas vezes, produzem e legitimam discursos antifeministas, convocando outras mulheres à política, mas sempre atreladas a uma concepção tradicional de feminilidade, família e submissão. A estratégia visa cooptar o eleitorado feminino, que representa mais de 52% do eleitorado brasileiro, para consolidar projetos de poder.
O paradoxo é que, mesmo ocupando espaços de poder, a agência feminina é autorizada apenas quando se alinha a uma ordem moral específica, o que pode reforçar estruturas de dominação em vez de promover a emancipação ampla das mulheres.



