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Amazônia se torna fonte de CO2 devido a ações humanas e queimadas, aponta estudo

04 de novembro de 2026
Amazônia se torna fonte de CO2 devido a ações humanas e queimadas, aponta estudo

Destaques

  • •Estudo publicado na Nature revela que a Amazônia emitiu mais CO2 do que absorveu entre 2010 e 2024.
  • •Queimadas foram a principal causa, liberando 1,47 bilhão de toneladas de CO2 anualmente.
  • •Pesquisa aponta a necessidade de redução drástica de queimadas e desmatamento zero para evitar ponto de não retorno.

A Amazônia, a maior floresta tropical do planeta, liberou para a atmosfera uma média de 1,17 bilhão de toneladas de dióxido de carbono (CO2) a mais do que absorveu anualmente entre 2010 e 2024. As queimadas foram a principal fonte desse desequilíbrio, emitindo cerca de 1,47 bilhão de toneladas de CO2 por ano, um volume muito superior à capacidade de absorção da mata, que é de 300 milhões de toneladas anuais. A pesquisa, publicada na renomada revista científica Nature e liderada por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), utilizou 15 anos de medições atmosféricas de carbono e identificou as atividades humanas como o principal fator responsável por essa mudança, alertando para a necessidade de redução drástica das queimadas e de desmatamento zero para evitar que a floresta atinja um ponto de não retorno.

O peso das atividades humanas e o clima

O estudo agrupou os dados de 15 anos em três cenários distintos. O primeiro grupo (2011-2014, 2017-2018) representou anos chuvosos com baixa atividade humana. O segundo (2019-2022) mostrou anos de baixo estresse climático, mas com altos índices de desmatamento e queimadas. O terceiro grupo (2010, 2015, 2016, 2023-2024) compreendeu anos quentes e secos, com impactos de fenômenos como El Niño e aquecimento do Atlântico. Os resultados indicaram que, nos grupos 2 e 3, a Amazônia passou de sumidouro para fonte de CO2. No grupo 2, as emissões foram quase quatro vezes maiores que no grupo 1, com um balanço médio de 1,58 bilhão de toneladas de CO2 anuais. O grupo 3 registrou o maior valor, com um balanço médio de 1,8 bilhão de toneladas de CO2 por ano. A pesquisa também aponta que o desmatamento e a degradação na Amazônia reduziram a precipitação anual em 8% e, na estação seca, em 20%, enquanto a temperatura média anual aumentou 1,13 °C, e na estação seca, 1,81 °C.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado na revista Nature, com base em 15 anos de medições atmosféricas de CO2, revela que a Amazônia emitiu, em média, 1,17 bilhão de toneladas de CO2 a mais do que absorveu anualmente entre 2010 e 2024. As queimadas foram identificadas como a principal fonte de emissão, liberando cerca de 1,47 bilhão de toneladas de CO2 por ano. A pesquisa, liderada por cientistas do Inpe e com financiamento da FAPESP, aponta as atividades humanas como o principal motor desse desequilíbrio, destacando que a floresta está se tornando uma fonte de carbono devido à destruição e ao aumento das temperaturas e diminuição das chuvas.

O trabalho analisou três grupos de anos com diferentes condições climáticas e de intervenção humana. Os anos com maior estresse climático e alta atividade humana (grupos 2 e 3) apresentaram balanços de carbono médios de 1,58 bilhão e 1,8 bilhão de toneladas de CO2, respectivamente. A pesquisa ressalta que, descontadas as emissões das queimadas, a troca líquida de carbono do bioma amazônico ficou próxima da neutralidade, evidenciando que a capacidade de absorção da floresta é insuficiente para compensar os gases de efeito estufa liberados pelo fogo.

Próximos passos e alertas

A cientista do clima Luciana Vanni Gatti, principal autora do artigo, enfatiza que a mensagem principal é chocante: o problema da Amazônia é a ação humana, e o modelo de desenvolvimento da região tem sido baseado na destruição. Ela defende políticas públicas que valorizem a floresta em pé. O alerta é particularmente relevante em um momento em que os focos de incêndio na Amazônia se aproximam dos números de 2025, com mais de 41.300 registros em menos de dez meses em 2024. A fumaça densa já causou a suspensão de aulas e sobrecarga no sistema de saúde em Manaus. Para entender melhor a fotossíntese e a decomposição na floresta, o grupo de pesquisa está analisando dados de sulfeto de carbonila (COS), um traçador atmosférico.

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