Alexander Zverev, tenista com diabetes tipo 1, é o novo número 1 do mundo

Destaques
- •Alexander Zverev se tornou o tenista número 1 do mundo, superando desafios do diabetes tipo 1.
- •O atleta utiliza tecnologias como sensor de glicose e bomba de insulina durante as partidas.
- •A conquista de Zverev inspira pessoas com diabetes, mas especialistas alertam para a importância da constância no controle da doença.
O tenista alemão Alexander Zverev, de 29 anos, alcançou o posto de número 1 do ranking mundial da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) na última segunda-feira. Ele se torna o segundo alemão a atingir o feito, após Boris Becker, e é o segundo mais velho a chegar ao topo pela primeira vez. A temporada de Zverev tem sido a melhor de sua carreira, com vitórias em Roland Garros e no US Open, seus primeiros Grand Slams. Sua ascensão também foi impulsionada pela ausência do italiano Jannik Sinner, que encerrou o ano mais cedo devido a uma inflamação no joelho.
O que torna a conquista de Zverev ainda mais notável é que ele convive com diabetes tipo 1 desde os 4 anos de idade. Durante a final do US Open, em Nova York, ele foi flagrado aplicando insulina e consultando um sensor de glicose em seu celular nas trocas de lado. Zverev frequentemente declara que disputa duas partidas simultaneamente: uma contra o adversário na quadra e outra contra as flutuações de seu nível de açúcar no sangue.
A luta contra o diabetes em quadra
O tenista relatou que, aos 6 anos, já cuidava sozinho da doença na escola, e que médicos haviam alertado sua família sobre as dificuldades do esporte de alto nível. Inicialmente, ele manteve seu diagnóstico em segredo. Em 2022, Zverev fundou uma organização para auxiliar crianças com diabetes e tornou público seu enfrentamento à condição.
Em momentos cruciais das partidas, como na final em Nova York, Zverev utiliza tecnologias para gerenciar sua condição. Câmeras capturaram o momento em que ele aplicava insulina com uma caneta na coxa e, durante as trocas de lado, consultava um celular conectado a um sensor de glicose preso à pele. Essa gestão ativa da doença em pleno evento esportivo demonstra sua dedicação e resiliência.
A evolução do tratamento para diabetes tipo 1
Há cerca de 25 anos, o tratamento para diabetes tipo 1 era mais restrito. Pacientes dispunham principalmente de insulinas NPH e regular, aplicadas com seringas, exigindo horários rígidos de medicação e alimentação. A medição da glicemia era feita por meio de picadas nos dedos, com poucas aferições diárias. O exame de hemoglobina glicada, realizado a cada três meses, oferecia apenas uma média do controle glicêmico.
A medicina evoluiu significativamente. Introduziram-se as insulinas análogas, de ação prolongada e ultrarrápida, que se adaptam melhor às refeições e oferecem um perfil de ação mais estável. Houve também o desenvolvimento de insulinas inaláveis. Mais recentemente, os sensores de glicose revolucionaram o monitoramento, substituindo grande parte das picadas e fornecendo informações sobre a tendência da glicemia.
O avanço mais recente une sensores de glicose a bombas de insulina, operando com algoritmos que auxiliam no ajuste automático de doses. Além disso, o teplizumabe foi aprovado para adiar o diagnóstico clínico em indivíduos de alto risco, retardando em média dois anos o início do uso de insulina.
Constância é a chave para o controle
Apesar da inspiração que a história de Zverev proporciona, especialistas alertam que a exceção não deve se tornar a regra. Para pessoas com diabetes tipo 1, a constância no controle da doença é mais definidora do que recordes. Estudos de longo prazo indicam que manter a glicose controlada ao longo dos anos é fundamental para prevenir complicações em olhos, rins, nervos e coração.
As metas modernas de controle vão além da média glicêmica. O consenso internacional recomenda que os pacientes passem mais de 70% do dia com níveis de glicose entre 70 e 180 mg/dL, com menos de 4% do tempo abaixo de 70 mg/dL, e com poucas oscilações. O ideal é um gráfico de glicemia estável, uma linha reta, que, embora menos fotogênica que um pódio, representa a verdadeira vitória para a saúde a longo prazo.
Matérias originais
- Por que o melhor tenista do mundo checa o celular entre um game e outro · veja.abril.com.br



