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Alexander Zverev, número 1 do tênis, convive com diabetes tipo 1

05 de novembro de 2026
Alexander Zverev, número 1 do tênis, convive com diabetes tipo 1

Destaques

  • •Alexander Zverev se tornou o tenista número 1 do mundo, um feito notável para qualquer atleta, mas ainda mais significativo por ele conviver com diabetes tipo 1 desde os 4 anos.
  • •O tenista utiliza tecnologias como sensores de glicose e canetas de insulina em quadra, demonstrando que é possível gerenciar a condição em alto rendimento.
  • •A história de Zverev inspira, mas especialistas alertam para a importância da constância no controle da doença, e não apenas a busca por recordes.

O tenista alemão Alexander Zverev, de 29 anos, alcançou o topo do ranking mundial da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) na última segunda-feira. Ele é o segundo alemão a atingir o posto, após Boris Becker, e o segundo mais velho a chegar lá pela primeira vez. A conquista coroa a melhor temporada de sua carreira, com vitórias em Roland Garros e no US Open, seus primeiros Grand Slams. A ascensão de Zverev também foi impulsionada pela ausência do italiano Jannik Sinner, que encerrou o ano mais cedo devido a uma inflamação no joelho.

O que torna a façanha de Zverev ainda mais notável é que ele convive com diabetes tipo 1 desde os 4 anos de idade. Em momentos cruciais, como na final do US Open, o tenista foi flagrado aplicando insulina e monitorando sua glicemia com um sensor conectado a um celular, demonstrando a gestão ativa da doença durante as partidas. Ele frequentemente declara que joga duas partidas simultaneamente: uma contra o adversário e outra contra as flutuações de seu nível de açúcar no sangue.

O gerenciamento da diabetes em quadra

Zverev relata que, desde os 6 anos, já cuidava sozinho da doença na escola, e que médicos haviam alertado sua família sobre as dificuldades do esporte de alto rendimento para diabéticos. Apesar disso, sua mãe o incentivou a seguir seus sonhos. Por muitos anos, ele manteve o diagnóstico em segredo, mas em 2022 fundou uma organização para auxiliar crianças com diabetes e tornou público seu estado de saúde.

A tecnologia tem sido fundamental para Zverev. Ele utiliza sensores de glicose que substituem as frequentes picadas no dedo, fornecendo leituras em tempo real e indicando a tendência do nível de açúcar. Combinado com canetas de insulina, esse monitoramento permite ajustes rápidos para manter a glicemia dentro de uma faixa segura durante os jogos.

A evolução do tratamento para diabetes tipo 1

Há cerca de 25 anos, o tratamento para diabetes tipo 1 era significativamente mais limitado. Pacientes dispunham principalmente de insulinas NPH e regular, aplicadas com seringas em horários rígidos, e a medição da glicemia era feita com poucas picadas diárias no dedo. O exame de hemoglobina glicada, realizado a cada três meses, oferecia apenas uma média do controle glicêmico, e a hipoglicemia noturna era uma preocupação constante.

A medicina evoluiu consideravelmente. As insulinas análogas, de ação prolongada e ultrarrápida, oferecem um controle mais dinâmico e adaptado às refeições. Sensores de glicose contínuos revolucionaram o monitoramento, permitindo não só a leitura do valor, mas também a identificação de tendências de subida ou descida. A combinação de sensores com bombas de insulina, guiada por algoritmos, aproxima-se de um controle quase automático da dose de insulina.

Recentemente, houve a aprovação do teplizumabe, um medicamento que pode adiar o diagnóstico clínico e o início do uso de insulina em indivíduos com alto risco de desenvolver diabetes tipo 1, retardando a manifestação da doença em cerca de dois anos.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado na Physiological Reports em 2023, intitulado "Type 1 diabetes management in a competitive athlete: A five‐year case report", acompanhou por cinco anos um atleta masculino de elite com diabetes tipo 1. Os resultados mostraram uma redução de quase -22% na hemoglobina glicada, -37,33% na insulina administrada e -27% nos níveis médios de glicemia. Além disso, houve uma melhora na condição geral do atleta, evidenciada por um aumento de +17% no ângulo de fase (medido por bioimpedância).

O estudo destaca que, apesar da incidência de diabetes tipo 1 ser de 15 por 100.000 pessoas, a condição pode ser vista em atletas de ponta. No entanto, ressalta a falta de conhecimento específico sobre o manejo da doença em atletas por equipes médicas dedicadas, o que pode levar a um controle subótimo, com frequentes episódios de hiper e hipoglicemia.

Constância é a chave, não recordes

A história de sucesso de Zverev é inspiradora, mas especialistas alertam para o risco de transformar sua exceção em uma regra. O controle da diabetes tipo 1 a longo prazo, segundo grandes estudos, é definido pela constância e pela manutenção da glicose em níveis controlados, o que reduz significativamente complicações em olhos, rins, nervos e coração.

As metas modernas de controle vão além da média glicada. O consenso internacional recomenda que os pacientes passem mais de 70% do tempo com a glicemia entre 70 e 180 mg/dL, com menos de 4% abaixo de 70 mg/dL e com pouca oscilação. Um gráfico de glicemia ideal é aquele que se mantém estável, uma linha quase reta, e não uma montanha-russa de picos e quedas. A verdadeira vitória, segundo especialistas, é para milhões de pessoas anônimas que vivem dias tranquilos, estáveis e longos, longe dos holofotes.

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